segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O seminário – início de uma nova vida

Eu estudava no Educandário Padre Anchieta e fiquei lá até outubro de 1939. Contraí catapora, deixei a escola e retornei para a escola de Mestre Afonso levado pela tia Madalena. Estava tudo certo para ingressar no seminário naquele ano, mas o Cônego Misael aconselhou aguardar que eu ficasse curado para então me matricular. Tia Madalena não gostou e disse que eu não iria mais para o seminário. Passado esse incidente e recuperado da catapora, começaram a fazer meu “enxoval” para a viagem. Por sorte meu pai estava com boas posses. Era um ano bom, muita produção.
Foi nesse ano de bonança que me prepararam o enxoval: roupa de cama, toalha de banho, sapatos, batina. Ganhei os sapatos de Pedro de Freitas, que tinha uma sapataria em sociedade com Luiz Alves. Doou-me sapatos durante todo o tempo em estive no seminário.
Comecei a estudar latim no primeiro ano. O professor era extremamente rigoroso, gostava de dar beliscão e bater com uma régua nas mãos dos alunos.
Só vim a refletir sobre vocação no Curso Maior, aos 18 anos quando já tinha uma compreensão de como era o mundo. E até tive minhas dúvidas, mas estava tão condicionado e moldado, que não me questionei profundamente e assumi que era verdadeiramente o que eu queria, afinal eu havia saído da roça para o seminário e sempre retornava do seminário para a roça.
Terminada a guerra em 1945/46, o seminário recebia muitos livros de escritores famosos; eu lia todos. O clima intelectual já era outro, mais aberto.

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