terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O pastor e sua aldeia - parte I

A primeira lembrança que eu tenho de Limoeiro data da minha infância, quando eu tinha doze anos e vim estudar aqui durante um ano, me preparando para entrar no Seminário em Fortaleza. Antes eu vinha, como todo garoto da roça, para aquelas festas religiosas tradicionais, especialmente a festa do Natal e o período do tempo da Páscoa, cumprindo aquele mandamento: confessar ao menos uma vez cada ano pela Páscoa da Ressurreição.
Bem, passando aqui um ano, eu participei da vida estudantil daquele tempo no Educandário Padre Anchieta, e ainda me lembro de que Limoeiro era muito mais animado, no sentido de congregar o povo para a realização de festas cívicas e religiosas. Isso, acredito, a cidade hoje perdeu muito. Também a cidade cresceu e os centros de interesse das pessoas hoje são outros. A entrada da televisão, por exemplo, é um fato que todo o mundo conhece. Em vez de aumentar a comunicação entre as pessoas, fez com que estas se isolassem mais um suas casas, nos seus lares. O ponto de atração é, na verdade, a telinha da televisão.
No meu tempo de seminário, o tempo de férias eu passava quase sempre lá no Sapé, onde nasci, mas tinha muito contato com a cidade, especialmente no que se refere ao meio religioso. Desde 1953 minha vida passou a se identificar com a vida da própria cidade, tanto no setor do trabalho de educação quanto naquilo que é uma atividade minha, específica, como um ministro da Igreja.

domingo, 4 de janeiro de 2009

A dor que deveras sente

Câmara escura

Eu queria fazer um poema em que as palavras
fossem a medida exata do que eu quisesse dizer.

Não escrevi o poema...

Eu queria um amor que da chama tivesse o ardor,
o brilho, o dom de mover-se graciosamente,
resistindo ao vento e recuperando-se vertical
em suas raízes profundas.

Desisti de amar...

Eu queria uma fé que fizesse ver o visível e o invisível
com a segurança do garoto que vaga de olhos fechados
por todos os desvãos de sua casa.

Tropecei no primeiro paradoxo...

Descobri, afinal, que o verdadeiro poema
é o por-fazer-se-com-palavras, chamas,
que o amor é o por-achar-se no que não tem medida,
que a fé é o poema que ainda não escrevi
e o amor que ainda não achei na câmara escura da vida.

(18.abril.1995)





Meu rio

Meu rio é como se fosse.
Tem a graça feminina
de prometer (e não cumprir).
Fecunda as águas perenes
e segredos sussurrados
nas ramas das ingazeiras.
(Choveu encheu...)
Espumante torrente ainda há pouco.
(Correu, mar bebeu...)
Agora modesto regato.
Não se passa no meu rio duas vezes...
Rio sem liquidez.
Mas tem fúrias napoleônicas...
Sangrou em Orós.
Saltou barrancos em Jaguaribe.
Rugiu em Castanhão.
Acuou em Tabuleiro.
Espreguiçou-se nas várzeas do Limoeiro.
Sumiu nas águas baixas do Aracati.
Meu rio, já!
Rio dos Jagurares.
(Abril/maio de 1986)






Rumores de ante-sesta



Além bate um martelo
no metal de uma voz radiofônica,
e estilhaços de som de uma balada
me ferem em semi-sono.
Zumbidos indistintos se desmancham
nos túneis dos ouvidos.
Tênues raízes de um sonho
flutuam em água turva.
Pouco a pouco habito um mundo informe
por trás dos olhos cegos e do ouvido surdo.
Infinito parênteses,
sem dor, sem alegria do que fui,
nada mais
que uma vaga lembrança inconseqüente.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Jogos Estudantis Jaguaribanos (Olimpíadas)

Os Jogos Estudantis Jaguaribanos foram idealizados, em 1965, por José Nilson Osterne, Padre Pitombeira e Gregório Freitas.



"Corria o ano de 1965. Os primeiros jogos olímpicos do vale do Jaguaribe estavam prestes a terminar. Em Russas, onde àquela época exercia minhas atividades, ouvia pelo rádio a transmissão das partidas de que Limoeiro participava. A narração era de Nelson Faheina e os comentários partiam da voz do saudoso José Nilson Osterne. Não me contive. Subi no meu Jeep 64 e parti para Limoeiro célere. Sem pestanejar, para ser mais rápido, enveredei naquela noite pela tortuosa várzea entremeada de carnaubais, até chegar à velha Quadra do Ginásio Diocesano, onde estavam sendo disputadas as finais olímpicas. Na ocasião, senti-me uma força a mais na conquista do primeiro campeonato. Deparei, de início com Zé Nilson, que me apresentou de imediato a um homem de pouca estatura, cenho cerrado, circunspecto e lépido, deixando transparecer prudência e feição de gente pudica, mas, ao mesmo tempo, destilando um quê puerícia, na ânsia de mais uma vitória limoeirense. Esse cidadão chamava-se Pitombeira."


(Texto de Aécio de Castro)






Equipe de Futsal de 1965.

Em pé da esq. para a dir.: Antônio Zeudo, Mário Cleto, Arisleu, Padre Pitombeira.
Agachados: (?), Tarcísio Deocleciano, Edicéu







Flâmula dos Jogos Estudantis Jaguaribanos (1966)




Desfile da delegação de Limoeiro do Norte em Morada Nova, em 1966





Em Morada Nova (II Jogos Olímpicos, 1966)







Flâmula dos Jogos Estudantis Jaguaribanos de 1967



30 de setembro de 1967








sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

2º Diretor da FAFIDAM

Solenidade de Colação de Grau da FAFIDAM em 1987
Da esq. para a dir.: Padre Pitombeira, Prof. Cláudio Régis Quixadá (reitor UECE),
José de Oliveira Bandeira (prefeito Lim. do Norte), João Batista (prefeito Quixeré),
Franciné Girão (prefeito Morada Nova)

Entre o Colégio Diocesano e a FAFIDAM

Quando foi fundada a faculdade, eu passei a me dividir entre o Colégio e a FAFIDAM. Creio que essa dupla atividade (administrando o Colégio e dando aulas na faculdade) tirou-me a possibilidade de engajar-me cem por cento numa delas. Fui Vice-Diretor no período de 68 a 78 quando o Cônego Misael era o Diretor. Depois fui Diretor e hoje avalio que devia ter deixado a direção do Colégio nessa ocasião. Mas prossegui. Mais dedicado à faculdade, tinha que viajar muito a Fortaleza e o Colégio Diocesano foi ficando em segundo plano.
Foi no Colégio Diocesano que estudaram tantos e tantos homens de bem que honram até hoje o nome do Colégio. Personalidades que se destacaram nos mais diversos ramos de atividades, porque saíam do Colégio e eram aprovados facilmente nos vestibulares e concursos Brasil afora.

Colégio Diocesano - décadas de 60 e 70

A partir de 1960 o Colégio aumentou a matrícula e foi crescendo, crescendo...

Na década de setenta foi que a matrícula aumentou bastante. Recebia alunos de São João do Jaguaribe e de Tabuleiro. Há até uma história interessante de dois irmãos de Tabuleiro que só possuíam uma camisa da farda. Um estudava pela manhã e o outro à tarde. A troca das blusas era feita no meio do caminho, na areia do rio. Um ficava esperando o outro para fazerem a troca.

O Colégio teve sua fase áurea [na década de 70]: aluno do Colégio Diocesano era facilmente aprovado nos melhores colégios de Fortaleza para cursarem o científico.


O Colégio Diocesano

Dom Aureliano chamou-me e deu-me a incumbência de ajudar a Padre Mauro no Colégio Diocesano. Nomeou—me vice-diretor; isso foi em 1953.


O Colégio tinha os cursos Primário e Ginasial. Eu fui ensinar latim e francês. Como eu tinha que supervisionar o internato do Colégio, minha vida era praticamente absorvida por isso. Havia vida esportiva no Colégio: os alunos jogavam pela manhã, e à tarde sempre tínhamos externos que jogavam. Eu gostava de jogar com os alunos. Inicialmente, de batina; depois, sem batina.


Às vezes levava os alunos para banhos nos Morros, no Poço dos Paus, e a vida era essa rotina.